“Os mestres da lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que Ele estava possuído por Belzebu…”

As leituras deste final nos indicam um caminho que todos os seres humanos precisam percorrer para amadurecer e viver o projeto de Deus. É tal  da vivência da alteridade;  a vivência do bem comum, o respeito com o diferente.

Jesus foi um desconcertante no seu tempo. Desconcertante porque pensava diferente e vivia diferente, e isso foi incomando  aqueles que viviam de modo unilateral, viviam somente por um ponto de vista.

Jesus vivia deslocando-se, estava presente em diversos ambientes, em contatos com outras pessoas e culturas. Tudo isso foi enriquecendo Jesus, tornando-o diferente, aberto, capaz de dialogar e respeitar o próximo,  conseguia ver beleza no diferente. A vida de Jesus era com outros, totalmente na alteridade.

Viver na alteridade, é tornar-se responsável pelos nossos atos, e não delegar certas situações ou pecados a terceiro. Adão na primeira leitura, vive uma relação unilateral com Eva, quando delega a sua culpa para a Mulher que Deus lhe coloco ao seu lado.

O movimento do texto (primeira leitura) é fantástico, porque Deus começa com uma pergunta a Adão –  Onde estás?  Adão por medo se esconde de Deus, porque sabe na sua consciência que falhou, mas não tem coragem para assumir que errou; Então foge da presença de Deus.

Eva também comete o mesmo erro que Adão, delega a sua culpa para serpente.  Como se não tivesse noção do seu compromisso com Deus. O destino dos dois já conhecemos: Eles acabaram saindo do Paraíso, ou seja, da plenitude em Deus.

Jesus no evangelho aponta para um perigo que a sua comunidade pode viver. Mesmo diante de Deus, alguém pode ter um coração fechado, vivendo para si mesmo.  E quando vivemos para si  com um coração petrificado  o Espirito não tem liberdade para atuar.

Peçamos a Jesus a capacidade de viver com as diferenças da vida, sem sentir medo, sem ter preconceitos ou julgamentos. Que Ele possa nos dar a tranquilidade de viver numa relação de alteridade.

 

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